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O MAIOR PROBLEMA NA ÁREA DO ENSINO DAS CRIANÇAS EM MINHA IGREJA É?


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2015-06-29 | Gilberto Celeti

MAIS CÃES, MENOS CRIANÇAS


MAIS CÃES, MENOS CRIANÇAS

É parte de um passado distante o tempo em que os cães comiam das migalhas que caíam da mesa de seus donos (Mt 15.27) ou lambiam as chagas de mendigos à porta de algum rico (Lc 16. 21), como relatam os evangelhos de Mateus e Lucas.

No Brasil de hoje, os caninos gozam de privilégios inimagináveis: status familiar, comida diferenciada, brinquedo, cama, edredons, joia, spa, ioga, ofurô, TV a cabo, hotéis de luxo, terapia, hospitais especializados, além de festa de aniversário e direito à herança, dentre outras mordomias. Como se pode ver, vida de cão já não é mais sinônimo de sofrimento ou carência. Na cidade de São Paulo há mais de 4 mil pet shops, número que ultrapassa o de padarias, segundo o site UOL, que igualmente afirma que o mercado pet fatura 11 bilhões de reais por ano.

Em junho de 2015, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que de acordo com o último censo, os cães já superam o número de crianças nos lares brasileiros. São 52 milhões de cachorros para 45 milhões de crianças. De cada 100 famílias brasileiras, 44 criam cães e só 36 famílias têm crianças. Quem acha isso um absurdo ficará surpreso ao saber que as projeções são ainda mais assustadoras. A previsão para 2017 é que o Brasil terá 62 milhões de totós e apenas 43 milhões de crianças. Na verdade, os dados revelam que essa é uma tendência dos países ricos e industrializados, como Japão e EUA. Na terra do sol nascente, há 16 milhões de crianças e 22 milhões de animais de estimação. Já nos Estados Unidos, há 48 milhões de residências com cães e 38 milhões de lares com crianças.

O que significam esses números? Certamente, por trás das estatísticas estão fatores financeiros, sociais, psicológicos e espirituais. Ultimamente, a despeito das dificuldades do país, a população brasileira tem mais acesso à educação, à renda e à saúde, fazendo aumentar o número de idosos. Na terceira idade, em geral, o ninho fica vazio, pois os filhos crescem e deixam a casa dos pais. Inativos e carentes, os idosos ficam propensos a se dedicar a animais de estimação para, desse modo, compensar o vazio. Essas pessoas têm mais tempo, espaço e dinheiro para investir nos bichos.

Mas a afeição por cães alcança pessoas de todas as idades que, seguindo o modismo, exageram tratando cães como gente: dormem com os animais na mesma cama e tratam os bichos como filhos ou netos, além de só se permitirem ir onde o animal tem acesso, dentre outros excessos. Por conta da pressão social, os cães estão sendo introduzidos em lugares, onde até então não se permitia a entrada de animais, como: shopping center, farmácia, supermercados, restaurantes, dentre outros.

Sobretudo, a substituição de crianças por animais revela a desvalorização do ser humano. Em certos ambientes, o cão é mais bem tratado do que a criança. Para muitos, maltratar animal é mais revoltante que maltratar criança. Porém, isso não significa que se deva atacar os cães, pois o crente deve ser conhecido pelo modo bondoso como trata seus animais (Pv 12.10).

Sobre o trato com as crianças, especificamente, o Senhor ordena que não devemos desprezá-las. Disse: Vede, não desprezeis a qualquer destes pequeninos (Mt 18.10). Este imperativo divino deve nos impulsionar a combater todo e qualquer ataque, desprezo ou negligência contra crianças, sejam de ordem física, emocional ou espiritual. A sociedade, a Igreja e a família precisam recuperar o valor das crianças; precisam se unir para defende-las; para assisti-las; para evangelizá-las e conduzi-las ao caminho de Deus (Pv 22.6). É preciso olhar para as crianças como herança do Senhor (Sl 127.3).

A falta dessa compreensão tem levado casais jovens a evitar a procriação. E o que não faltam são desculpas: não se sentem preparados, dá trabalho, custa caro, falta estrutura. Além disso, os filhos poderão inibir a liberdade do casal, dificultar carreiras, dentre outros argumentos.

Portanto, não é sem razão, que o país já tem mais cachorro que criança. Qual será o futuro de um mundo que troca crianças por cães?

Pr. Antônio Paulo de Oliveira.
Pastor da Igreja Batista Regular do Bairro Assunção, em São Bernardo do Campo - SP e membro da Diretoria Nacional da APEC.

 
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